O amor de uma família e o futebol mudaram a história de três jovens
Formados na Casa Lar um jogará em Itajaí e outro em São Paulo. O mais novo começa os treinamentos em março.
A história de uma família poderia ter um desfecho muito diferente se não fosse o amor, coragem e determinação de um tio.
Luis André Coelho, tem 42 anos, é mecânico e casado com Dirce há 21 anos. Não tiveram filhos, Mas uma fatalidade mudou toda a história. O irmão de André, Wilson, vítima de uma tentativa de homicídio teve um projétil alojado muito próximo da coluna vertebral, no Dia dos Pais no ano de 2000. Com a perda de movimentos e um longo processo de recuperação fizeram com que o pai pedisse ao irmão, André para cuidar dos seus filhos pequenos; Wilson Júnior, então com 4 anos e Micael com 3 anos e algum tempo depois José Israel.
Foram tempos difíceis segundo André. “Eles eram completamente dependentes de nós e isto criou uma situação que não planejamos” relata. Ele explica que o futebol foi uma forma de manter os meninos fora das ruas. “quem pratica esporte aprende muito e isto é importante”, relata.
André ressalta a importância da esposa, da irmã Elaine e da sua mãe Tereza, avó dos meninos. “Sem elas não sei como seria. Todas ajudaram a esta união foi importante”, frisou.
Bem mas o que passou, passou. A família vive uma emoção diferente esta semana. Família de jogadores de futebol, dois dos meninos “vão embora”.
Wilson Júnior volta para São Paulo, e quem sabe no futuro a Inglaterra e Micael para Itajaí, Dirce, a mãe do coração, com os olhos marejados exclama: “Tenho orgulho por poder criá-los e ver eles seguirem um bom caminho”.
O tio André jogo na Coloninha
O tio André ex jogador do então Esportivo da Coloninha deu um conselho de pai para os meninos. “Espero que eles nunca deixem subir para a cabeça e não esqueçam como foram criados e para o quê foram criados”, finaliza.
Wilson Alex Pinto Coelho Júnior, tem 15 anos, desde os dez joga futebol no Centro de Treinamento da Casa Lar. No próximo domingo ele embarca para a cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, sede do time Desportivo Brasil, pertencente à empresa Traffic, uma das maiores no descobrimento de talentos para o futebol, nacional e internacional.
Em 2012 ele fez teste na equipe e não passou. Em junho foi chamado para uma nova avaliação. Na última, de três semanas de treino, foi escalado para um amistoso contra um time local. A grande chance chegou. John, um olheiro do Manchester United, da Inglaterra, viu ele jogar e pediu para que o garoto ficasse mais uma semana. “Na quarta-feira, da terceira semana ele falou que eu havia sido aprovado”, relatou Wilson.
Wilson poderá jogar na Inglaterra
Com 15 anos, 1m85 e 60 quilos zagueiro e volante, Wilson projeta o futuro. 'O objetivo é ficar até o fim do ano que vem quando termina a categoria juvenil', explicou. Estudante do 2º ano do Ensino Médio ele tem a vida dividida entre treinamentos e estudos. Torcedor do Grêmio de Porto Alegre, gostaria de um dia jogar no seu time do coração. Lá fora ele não esconde a paixão pleo Manchester United. Próximo de voltar à sede do Desportivo, após o período de férias ele diz que sente saudades de casa. 'A Casa Lar é muito perto da minha casa, é uma segunda casa', ressalta. Bem, mas a história da família tem mais revelações. Micael Pinto Coelho, tem 16 anos, 1m80 e é volante. No mês de agosto, do ano passado, jogou no Marcílio Dias, de Itajaí, participou do torneio BC Cup, voltou para Araranguá para não perder o ano escolar. Neste domingo ele retorna à equipe catarinense para jogar e estudar. É gremista e fã do jogador Paulinho do Corinthians. Faltando pouco para o embarque
Micael relata que a distância dá saudade. 'Longe fico com saudade porque estamos sempre perto da família', explicou.
Caçuça vai começar os treinos E para não fugir à regra o caçula, José Israel Pinto Coelho, de 9 anos, começa a treinar na Casa Lar no próximo dia 4 de março. Centroavante, ele também é corredor de velocidade prova disto são as inúmeras medalhas acumuladas em competições. Torcedor do Inter gostaria de jogar algum no Coritiba.
João Izé presidente da Casa Lar irmã Carmem. relata que a escola de futebol iniciou em 1996 como uma forma de envolver os adolescentes. 'O futebol ocupa, profissionaliza, impõe limites e regras. Para muitos isto serve para a vida', relata. Nestes anos a Casa Lar já formou 54 atletas que se profissionalizaram, ou estão no futebol nacional. Destaque no cenário nacional, lembra João Izé, são os jogadores: Jean do Criciúma, Alóisio do São Paulo e Paulo Henrique do Atlético Mineiro.