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Projeto visa criar vínculos afetivos com crianças e adolescentes que estão fora do perfil de adoção

Projeto visa criar vínculos afetivos com crianças e adolescentes que estão fora do perfil de adoção

Com o objetivo de proporcionar vínculos afetivos a crianças e adolescentes que estão fora do perfil de adoção, a Vara da Família, Infância e Juventude da Comarca de Araranguá cria o projeto Família Referência. A apresentação ocorreu na tarde de sexta-feira, 24, véspera do Dia Nacional da Adoção, no Fórum da cidade.

Conforme a juíza Caroline Bundchen Felisbino Teixeira, o projeto já existe em São Paulo, com outro nome, e foi adaptado para a Comarca. “O público-alvo do projeto são crianças e adolescentes que não conseguem ser adotados e famílias já cadastradas para adoção, porém outras famílias também podem se cadastrar”, explica.

A intenção é que crianças e adolescentes que estão fora do perfil de adoção possam ter vínculos definitivos, relação de amizade, referência de família, sem que haja a pretensão de adoção. “Para que elas possam ter para quem ligar, conversar, tirar alguma dúvida, possam passear, ter um suporte familiar. Não dependeu da vontade delas irem para a instituição, elas foram retiradas da sociedade por uma circunstância e o objetivo do projeto é minimizar esta institucionalização”, comenta a juíza.

O projeto possibilita que pessoas da Comarca de Araranguá, que abrange Maracajá, Balneário Arroio do Silva e Araranguá, e municípios próximos se cadastrem para a retirada temporária de crianças e adolescentes que estejam na instituição de acolhimento, a Casa Lar Irmã Carmen. 

Famílias cadastradas para adoção já foram avaliadas, por isso estão aptas, entretanto outras pessoas ou famílias também podem participar do projeto, basta procurar o serviço de Assistência Social no Fórum e se cadastrar.

Os requisitos para participar do projeto são os mesmos para a adoção: ser maior de 21 anos, independente do estado civil e 16 anos mais velho que a criança a ser retirada para o passeio.  

Segundo a juíza, a ordem de pedido será respeitada, e a vontade da criança também. “A criança e adolescente tem que querer sair com a família, além disso, os vínculos entre irmãos terão que ser respeitados”, diz.

O projeto é válido para crianças com pelo menos cinco anos, entretanto, na prática, como revela a juíza, são crianças com mais idade. “A partir dos oito anos é mais difícil encaminhar para adoção, estas crianças é que estão aptas para o projeto”, revela.

Na Casa Lar, cerca de oito crianças que pertencem a Comarca estão aptas a participar do projeto.


Por Bruna Turatti
Fonte: Jornal Sem Censura (27/05/2013).